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[Bookeando] O extraordinário cotidiano de um leitor ordinário

14 nov

A editoria Bookeando de hoje trará uma crônica inspirada na experiência que leitores, ocasionalmente, pelo menos uma vez a cada vez que fica viciado em algum livro, acaba vivenciando.

 

Andar pela cidade em que vivemos é algo interessante. Há o caos do trânsito – que diga-se de passagem é cada vez mais comum até mesmo na mais pacata cidade, nem que seja por congestionamento de bicicletas e charretes – e há também o barulho, o tumulto… a tão gasta expressão “selva de pedra” que é cada vez mais densa e mais populosa em seus diversos habitats de concreto que constituem um ambiente que pulsa. Um ambiente em impulsiona as pessoas, os animais viventes nessa floresta de caos.
Mas, apesar de tudo, gosto de andar pela cidade. Porque há também as pessoas. Os seres que influenciam essa balança que tenta sempre buscar o equilíbrio entre a harmonia e o caos. Tal qual a tão gasta expressão “selva de pedra”, que está tão gasta quanto as solas dos meus sapatos por tanto perambular para cima e para baixo no meu diário safári metropolitano.

E é engraçado observar melhor as pessoas na cidade em que vivemos. Não engraçado no sentido de escárnio, mas no sentido de curiosidade mesmo.

E quer saber como observar melhor as pessoas que dividem o mesmo habitat que você? Ande de transporte público.
É estressante? É sim.
É cansativo? Com toda a certeza.
Muitas vezes é enlouquecedor? Pode apostar toda a sua paciência nisso!
Mas também tem lá suas recompensas, como a que vivenciei, como leitora e cidadã.

Ao entrar no transporte complementar ao sistema de ônibus de minha cidade, consegui um bom lugar. Não era na janelinha, como provavelmente você que está lendo esse texto imaginou, mas era um lugar para se sentar. O banco era rasgado, o cinto estava amarrado em fita adesiva e batia na minha perna conforme a van se locomovia, o assento cheirava a cheiro de suor de todos os trabalhadores que se sentaram naquele mesmo lugar e mal tinha espaço para a minha perna, quanto mais para minha perna, minha bolsa e meu guarda-chuva.
Mas era um lugar para sentar. Ponto final.
Quando finalmente me acomodei, o veículo parou no próximo ponto.
E, por mais que você se faça de indiferente, você sempre vai olhar para as pessoas que estão subindo na catraca. Sempre. Nem que seja por tédio, mas vai olhar. Sempre.
Eu dei aquela olhadela rápida. Aquela que a gente levanta o olhar muito rápido da playlist do smartphone e rapidamente volta para decidir se sua jornada até o centro da cidade terá como trilha sonora o blues de Jill Scott ou a última baladinha eletrônica de Britney Spears.

Olhei, tentei disfarçar, mas não resisti. Tive que olhar de novo.

Estava ele lá, reluzente, lindo em suas formas, bem seguro de todo o conteúdo que possui e do fascínio que desperta em mim… e vindo na minha direção…

Em Chamas.

Não, não era como eu fiquei por qualquer tipo de reação hormonal que você deve ter imaginado. Em Chamas é o título do livro.
Sim, um livro. Não, não UM livro. O LIVRO.

Certa vez minha professora de redações jornalísticas disse: “Quando vocês começarem a fazer o TCC, tudo o que você ver e aonde quer que vocês forem será TCC, TCC, TCC. É como uma mulher quando está grávida que, aonde quer que vá, encontra outra grávida.”

E foi nisso que pensei naquele momento. Me senti parte da família gerada por Suzanne Collins.

E é claro que eu fiz o que qualquer pessoa apaixonada por um livro faria: Fiquei encarando o livro enquanto o garoto, que não aparentava ter mais do que 15 anos sentou-se no assento livre a um palmo e meio de onde eu estava.
E é claro que depois de dez segundos o menino percebeu que tinha uma maníaca olhando com cara de psicótica para o livro que ele abraçava.
Contudo, dessa vez, tentei ser cortês e agir como um leitor normal agiria:
– E aí tributo? – eu disse, referenciando ao tratamento comum do fandom da dita saga.
Depois de passado o susto, o menino me cumprimentou mostrando os metais nos dentes e disse:
– Gosta de Jogos Vorazes?
– Se eu gosto?! Já garanti meu ingresso para o cinema. É a primeira vez que está lendo?
– Não, estou relendo. Para o filme também.
– Legal!
– Legal.

Nesse momento, a cobradora se espremeu no meu campo de visão para coletar a passagem. E eu não troquei mais nenhuma palavra com o tributo adolescente.
Mas observar a presença de um livro durante o trajeto de um adolescente, ainda mais um livro que me conquistou tanto, me fez pensar que talvez as pessoas do meu habitat estejam mudando seus hábitos e a balança de caos tenha começado a desnivelar para estar propensa a mudanças. Mudanças que podem extinguir de vez o odioso clichê “selva de pedra” para, quem sabe, “cidade civilizada”.
Pode parecer utopia para uns, pode parecer distopia para outros. Mas enquanto eu pensava na lástima que é o gigante só ter acordado para fazer barulho nas mídias sociais, deixei que a filosofia de “Work Bitch” servisse de trilha sonora para esse momento de confraternização literária.
Eu segui meu caminho e o outro fã de Jogos Vorazes também seguiu o dele. E talvez eu nunca mais veja aquele garoto de novo.
Mas isso, o gosto pela leitura que gera integração e confraternização, só me faz pensar que se a gente quer alguma mudança na sociedade em que vivemos, não é preciso muito barulho e muito menos quebrar com o país inteiro por raiva e revolta. Basta sentar, observar as mudanças sociais ao nosso redor que já são aparentes nos lugares mais ordinários e botar a mão à obra.
Não é preciso ser dono de uma biblioteca, montar uma ONG ou fazer grandes investimentos em projetos de inclusão cultural. Se você pode fazer tudo isso, ótimo, melhor ainda!
Mas se não pode, siga a fórmula que eu vivenciei: ande pela cidade, observe as pessoas, converse sempre que possível – mesmo o mínimo que for – e compartilhe os seus gostos e seu conhecimento.
Isso é cultura, isso é mudança. Isso é a beleza de se viver em sociedade porque qual outro ser vivo do ecossistema tem a capacidade de ler livros e ainda dividir as alegrias que uma leitura lhe proporciona com outro ser vivo?
You want live fancy? Now get to work, bitch!

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Bookeando: Eliane Brum fala sobre a arte de escrever sobre o cotidiano [Saraiva Conteúdo]

5 ago

O Twitter da Livraria Saraiva publicou nessa segunda, 5, esse vídeo com a jornalista e escritora Eliane Brum, de quem eu sou muito fã!

Fui apresentada à obra de Eliane Brum durante a faculdade de jornalismo, quando tive que ler um de seus livros reportagens, “A Vida que Ninguém Vê” (Editora Arquipélago) e logo me apaixonei pela narrativa tão peculiar que Eliane Brum faz de coisas e pessoas que geralmente consideramos ordinárias no nosso dia-a-dia, mas que, em sua escrita, tornam-se extraordinárias.

Nesse bate-papo ao canal Saraiva Conteúdo, Eliane fofa como sempre fala sobre como sua vida ganha sentido quando ela escreve sobre as histórias dos outros, ou como ela mesma explica, a história das pessoas e não de personagens. “Para não correr o risco de ir atrás de um personagem que se encaixe numa narrativa já pronta. O jornalista precisa partir de um ‘não-saber’”, afirmou.

Conheça mais sobre a vida e obras da jornalista e escritora Eliane Brum:

Twitter | Facebook | Perfil (Portal dos Jornalistas) | Coluna Revista Época

 

Resolvi postar essa entrevista da Eliane Brum para inaugurar a editoria “Bookeando” do CP, onde discutiremos de maneira mais reflexiva e até filosófica sobre tudo o que envolve o universo dos livros. Em breve trarei artigos de minha autoria com a minha opinião sobre literatura, além de entrevistas a autores nacionais e posts com biografias e perfis de autores estrangeiros. E então, o que acharam dessa novidade?

 

Fonte:
Saraiva Conteúdo

Quatro Notas

E algo mais...

BOOK GRAPHICS

A busy author's best friend

That's My Happy Place

“Li livro durante toda a minha vida. E, quando mais precisei lê-los, os livros me deram tudo o que pedi e mais."

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Camafeu da Lia

O Diário de Uma Águia Francesa

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Tudo o que envolve cinema e ações que incentivam o gosto pela sétima arte

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e vamos tomar uma cerva?

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